" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

quinta-feira, dezembro 09, 2004

a velocidade do tempo não se compadece com a intensidade de emoções.

o médico de novo. homem de muitos recursos e artes. inteligente. perigosamente.

havia, lembro, o pentotal nas veias.

"então? já confias em mim?"

"não."

"porquê?"

"responda-me primeiro se quer que o leve a sério: a minha irmã está curada?"

"tanto quanto pode. há quem não possa ser levado a aprofundar mais. não resistia. tem o seu mundinho. serve-lhe. é assim com muita gente. contigo não."

"como é que sabe?"

"tens raça, alma! hei-de querer continuar a ver-te quando isto acabar" " e agora, já confias?"

"mais."

"então conta..."

"só sei escrever. falar da minha vida não."

"escreve-me e depois comentamos os dois".

e assim se iniciou uma psicanálise inédita. por correspondência.


o tempo aproveitava-o ele em seduções variadas. sem pudor. desmedido. louco.

"queria ter-te sobre a minha secretária com uma redoma por cima. eras só minha assim."

escrevi. sobre a mãe o pai a irmã e o mestre. desse só a admiração e a confiança passaram ao meu crivo. dos outros, tudo.

"este mestre, já te beijou?"

rajada!

"não"

"nem fez mais nada? que é que fazem juntos?"

"falamos de poesia"

"ainda bem. não podia ser dele o teu primeiro beijo. há-de ser meu. um dia. tu sabes. tu queres."

"não quero"

ria.

não, meu amor, não queria!




o cerco era de pedra agora. depois das rãs, do padre, o louco-médico.

desci ao inferno a pedir força. tive-a!

nem ele, o amigo podia agora apoiar-me. não lhe cabia. não queria interferir. só mais tade soube ele o que passei.

entretanto, sofríamos os dois. ele por uma espécie de abandono. devia parecer isso a irritação a ansiedade constante do meu viver da hora.


mas nestes percursos de jogos infernais alguns ficam pelo caminho. tempos passados. poucos. suicidou-se o génio louco. pobre!

que tem o amor para incomodar tanto, se é real? ainda hoje e passaram muitos anos, o pergunto.

3 Brilhos:

Blogger Maria Branco disse...

Tens alma... Sim! Uma alma imensa que não conhece limites no amor, que o vive com intensidade e plenitide.. Essa intensidade revela-se a cada palavra tua.. A velocidade do tempo não a alterou.. Tornou-as ainda mais intensas, ainda mais amor...
A cada palavra admiro-te mais e mais...
Beijos Muitos

6:21 da tarde

 
Blogger ognid disse...

Isto da Maria vir à frente e tirar-me as palavras tem de acabar :))) sigo o que escreves com uma atenção e um interesse que não sei explicar. Sinto-me a viver o que viveste. Não pares, por favor. Como a Maria, a cada palavra que escreves aumenta a minha admiração. Beijos.

3:37 da tarde

 
Blogger Madalena Pestana disse...

:)))

Grata pela força. Fica-me o medo de não corresponder às expectativas.
Bjinhos.

12:47 da tarde

 

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