" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

quarta-feira, dezembro 22, 2004

quase corria. uma casa pequena em rua estreita. entrei.

entrámos penso. falámos à senhora que vi pela primeira vez. olhei de vago a sala comum. a dividi-la duas cortinas laterais emolduravam a cama onde o homem estava recostado.

"palco sempre" pensei.

sentei-me na cama e dei-lhe as mãos.

não importava mais o que pensassem. senti isso imperativamente.



photo in


"mestre, eu não sabia. não me disse..."

"para te preocupar? já estou melhor..."

"mas recusa tratar-se", a voz da mulher dele.

"que é isso? o senhor simplesmente não pode fazer isso. não deixo!"

sorriu.

"para me curar querem tirar-me o teatro."

"é até melhorar..."

"não. é para sempre. não quero. não viveria assim. que me sobrava?"

"e eu?" murmurei.

"tu vais representar. eu já não posso."

"tanta coisa me pediu. sempre disse que sim. lembra-se, mestre?"

"era diferente. pedem-me que não viva".

"viva por quem o ama e voltará ao teatro. prometa!
vá, prometa-me!"

prometeu.

ofereci-lhe o livro do josé felicidade, o primeiro. gostou.

toda a gente esperava que eu saísse. tive de ir.

"não esqueça o que me prometeu.
adeus, Mestre".

" não esqueço. eu prometi.
muito obrigado. adeus, madalena".

sorria e eu sorri também.