" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

segunda-feira, dezembro 13, 2004

parei os estudos na procura de curso onde gostasse de estudar.

fiquei mais livre. para quê?
para deambular entre esplanada replecta e praia vazia. caderno e caneta na mão. alinhando palavras que mais ninguém leria.

lia de noite. falava cada dia menos. não dormia.
deixara de chorar.




em

(não. com a odete não!)

só o velho A. não descansava.
vieram os concertos, o ballet. jantares em espaços de luxo. as tias verdadeiras da velha av. da república.
as tentaçõs organizadas. calculadas ao pormenor. infindáveis. desgastantes.

de pedra a ferro, a teia.

falei com o mestre. pedi-lhe que não viesse mais. precisava viver. com ele não podia (tanto queria...).

assim. seca. sem mais porquês. também não perguntou.

"se um dia, qualquer dia, precisar não hesite. eu virei.
até logo".

"até logo, mestre".

foi preciso. eu sei que não devia mas foi preciso. tinha de arrumar as gavetas do ser.

(ainda avistava o carro deslizante e já tu me faltavas.
como se eu não soubesse que iria ser assim...).

      o corte, a chamar-se isso, era uma pausa na árvore a crescer.

      o crescimento dói. todo ele dói.

      é muito, muito só.

      em

      quem sofreria de nós agora mais?