" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

quarta-feira, dezembro 22, 2004

o pouco que dormi deixou-me exausta. acordei cedo.

tinha estágio. não podia faltar. já não havia tempo para repor as faltas no infantário da misericórdia de lisboa. trabalho sofrido de que eu gostava.

aprontei-me. as duas mulheres também. sairíamos cada uma ao seu destino.

na hora de abrir a porta sentei-me no único sofá.

"ainda não vens? são horas".

"não, não vou".

"é o último dia. vais perder um ano por capricho? estás varrida de todo! que é que te deu?" .

"não sei. não vou. estou à espera".

"de quê?".

"não sei!".

desta vez entendia-as: parecia loucura. tinham razão. eu não.

eu sabia que me faltava ter a certeza do que sabia já.

sairam. fiquei no mesmo lugar. por quanto tempo?

até o telefone tocar. atendi sem pressa. coração apertado com correntes.

era a odete.

"madalena... desculpa... é para dizer... ontem depois de tu saíres, às 22h, o mestre piorou e... morreu..."

"...obrigada... odete".

vazio.

a árvore que éramos partira-se.

para sempre.




broken tree


estava sozinha. podia bem soluçar alto.