" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

segunda-feira, dezembro 20, 2004

ebolição. não há palavra que melhor defina o estado


da minha vida interior depois do que narrei.
à beira da explosão.

veio a noite de acompanhar a rapariga loira ao grupo novo.
catacumbas? sala húmida longa. as caldeiras da piscina de inverno do algés e dafundo. escuro. gente estranha. mesa comprida.

a irmã leu um fragmento de texto eu li outro. não escolhemos. tremia, a timidez.
não tinha ido pelo teatro. tinha ido. só.

"esta voz e este físico. a idade. que acham?" o armando caldas.
"sim..." "é ela. tem de fazer a antígona connosco".

(a antígona? e eu que sempre teimei em não acreditar em coincidências...).

que não, não conseguia.

"leia e vai ver. gosta de certeza! é muito bom o texto do annouih. diga-nos amanhã. queremos inaugurar o teatro com a peça."

o encenador parecia convencido. eu não.

a irmã faria o papel de ama velha. "engraçado" pensei. "tem tudo a ver".

o texto que me deram era enorme e rico. tive medo muito medo de falhar.

(o mestre quer fazer esta peça com a odete.
aceito. aceito mesmo. melhor que ela hei-de fazer).

aceitei.
sorrio agora: estava a competir.
pelo sucesso? não. pelo homem que amava e não podia amar.

à medida que lia a ebolição em mim ganhava escape. li em voz alta. assustei a vizinha.

todas as revoltas as repressões até o amor ou desistência dele por causa maior,estavam ali.
podia bem representar aquilo. iria dizer de vez um não que toda a gente ouvisse.

não sistema político.
não pide.
não moralidade estéril de mãe e irmã.
não amor de fingir.
não médicos porno.
não. nunca mais!
não ao silêncio.
antes morrer.
o meu não!

antígona.



dessin de Séverine LEPLAT

2 Brilhos:

Blogger Maria Branco disse...

E em cada gesto, em cada palavra, em cada acto.. Sempre o amor...

1:15 da manhã

 
Blogger Madalena Pestana disse...

É a constante, Maria.

:) Bjs

8:35 da manhã

 

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