" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

segunda-feira, dezembro 13, 2004

caos na memória, até aqui quase sempre nítida.

porque caótico o tempo que a seguir vivi.

"o mestre vai fazer a antígona, sabes?" disse o carlitos num encontro em lisboa.
"com quem?"
"com a odete, creio".
"que é que lhe deu?"
"não sei".

não estranhei. fazia o prometido. sem mim. sem me dizer. estaria eu já tão longe assim?

aceitei a proposta da irmã para conhecer o grupo de algés, primeiro acto. conversa de esplanada ainda. eram simpáticos. o teatro era espaço a construir.

o médico deu a tudo um cunho clandestino-familiar. levava-me e à irmã com ele e a mulher a tomar chá, a casa mesmo.

mais tarde avisava-me que a mulher ia convidar-me para ver duas horas de sol (sozinha agora). fazia-se tarde. passava a noite. entregavam-me à porta do liceu. atestado na mão. estado gripal.

mentira. não dormira apesar das drogas que me dera. não confiava nunca.

filmava-me na praia. gravava-me a ler poemas que escolhia.

"se fugires tenho-te toda. a tua voz, os filmes, as tuas cartas. és minha!"

"nunca mais serás amada assim" dizia.

doente! que sabia aquele homem de amor?

tinha 18 anos eu. e amava.

éramos árvore minada quase até à raiz por toda a gente à volta. sobrevivemos.

mas houve oscilações minhas. a distância. a pressão. a frustação de querer-te e não te poder dar amor.

era demais.

havia também uma ponta de ciúme a resolver. à minha maneira. sem perguntas.