" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

sexta-feira, novembro 26, 2004

tenho de contar rápido. não há como evitar contar.

não quero alongar-me nesse louco. era outra história. talvez um dia. ou nunca. é o melhor.

na terça feira eu estava lá de novo. a pedido dele sem a irmã.

"já gosta de mim hoje?"

"não"

"podia disfarçar ou nunca mente?"

"só minto a quem não aguenta a verdade"

estendida no sofá hirta irritada silente.
arrastou a cadeira para a minha frente e pegou-me na mão. não me movi. deixei a mão assim por 50 longos minutos. dormente e fria.

ele falava. fazia perguntas. contava-me quem era.

" este homem é um fauno velho. convencido que é deus e novo. só."



ARNOLD BÖCKLIN

as sessões sucederam-se. silêncio.

" a continuar assim temos de terminar. o seu pai vai ficar triste"

"não consigo falar consigo. lamento. não consigo."

" eu tenho uma injecção que apenas a descontrai. se quiser podemos tentar. desinibe-a"

"por mim..."

sei hoje o nome daquele líquido que passou a injectar-me e a que eu já adivinhava o sabor no autocarro, pelo caminho, antes.

pentotal.

disse-me ele. mais tarde. quando descobriu que o soro da verdade não vence uma mente que não abriu as portas a ninguém. não se deixa invadir.

"você foi o meu maior fracasso"

"ainda bem. houve um. graças a deus"

1 Brilhos:

Blogger Maria Branco disse...

O que dizer.. Nada nos vence quando temos em nós a força, e a coragem.. Adivinho-te uma força imensa de mãos dadas com uma enome sensilidade..

6:30 da tarde

 

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