" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

quinta-feira, novembro 25, 2004

tanto sonhámos sem poder sonhar!

os moínhos que compraríamos um dia. as idas ao farol da barra. as peças onde eu seria a actriz. a Antígona que só comigo tu farias. tanto sonho. tantas horas de água clara. azul. tanta serra. tanto mar.

aconteceu o beijo merecido como a aplacar o arder de sonhos impossíveis.

lembro a textura dos teus lábios como quem lembra o cheiro da criança que pariu e amamentou. lembro-lhe a humidade. o suave. o carinho.

a angústia depois.

"porque parou?"

"oh meu amor! eu não posso não devo."

"porquê?! é minha a vida! por eles?"

"não. por ti. basta-me olhar a confiança dos teus olhos lindos. não, meu amor.
um dia hás-de entender... perdoa!"

o teu olhar tão triste. tão tão triste. sofrias. e sofrias por mim.

tinhas razão: sei hoje. sei e rasga-me a alma a grandeza de tudo o que me deste.
não foi inglório, amor, posto que estás aqui. tão vivo em mim.


"não, meu amor, não posso" .


ecoa ainda em todos os espaços aonde espalhámos esse amor.