" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

quarta-feira, novembro 24, 2004

os encontros secretos não eram escondidos de ninguém. todo o liceu os via

até o contínuo facilitava a saída, se um professor faltava e o mestre estava paciente à espera. as colegas riam. "sortuda! vais passear"

o mar era tão perto e havia sempre tanta coisa a dizer!

mas o corpo crescia. magra ou não tinha eu coisas de sentir de mulher e amava.

"tabu!" não entendia. antes, não queria continuar a entender. queria estar viva.
agora!

dividida, dormia mal. escrevia. lia. até quase amanhecer.

a rapariga loira tinha sido dada por curada. o médico maravilha, psicoterapeuta, foi contactado para mim. exigência do pai que queria para as filhas o melhor. sempre quisera, querido homem do bem!

"não preciso. não quero pai. não estou doente!"
"isso o médico é que sabe. essas dores no estomago a toda a hora... vais lá e logo vês. mal não te vai fazer". fui.

antes nunca tivesse ido. antes nunca!

a minha estrela não é apenas doida. ela é negra também.