" A minha estrela é doida! Coube-me nas sortes a Estrela-doida!" - José A. Negreiros -

quarta-feira, novembro 24, 2004

mas envelheci súbito. perdi a ingenuidade. roubaram-ma!

continuámos a encontrar-nos. agora duas vezes numa semana só. sem pudor de mentir. e porquê tê-lo?
escrevias. mandavas-me poemas. eu dizia-os depois nos recitais que tu encenavas com os outros.

"você não precisa ensaiar. está-lhe nas veias. a poesia de si brota. é inteligente. eu confio em si".

chegou de uma vez o carteiro e entregou-me directamente carta dele. abri-a subindo a escada. entrei em casa.

"mãe. tome. leia." disse. brusca.
"estás maluca? isso é para ti? que é que tu queres agora?" a rábula.
" que a leia à minha frente. está aberta. assim não perde tempo a procurá-la nas gavetas ou a abri-la a vapor".

foi para a cozinha. eu para o quarto.

estava dito. ninguém voltou a abrir correspondência minha.

e onde ficou a mãe que nunca tive a certeza de ter tido e agora se fechara para mim?


Eruption cloud


onde? onde?